Nesta semana nos telejornais o assunto de destaque foi o AVC - acidente vascular cerebral ou o popularmente conhecido "derrame".
O técnico do Vasco, Ricardo Gomes, sofreu um AVC em pleno jogo. Graças a Deus ele teve um pronto-atendimento, fizeram os exames devidos e a cirurgia e, agora já está em plena recuperação.
Nessas situações os comentários são infindáveis, chegam até enjoar, mas um ponto que chama à atenção é, que segundo vários neurologistas que apareceram nos telejornais, o atendimento é primordial nas primeiras 48 horas após o AVC. É alegaram a urgência na realização de cirurgia para controle do sangramento ou a introdução de medicamentos para a desobstrução da veia cerebral em caso do AVC isquêmico. E tantas outras explicações médicas...
Todo esse blá-blá-blá deixou-me com uma raiva pela falta de pronto-atendimento a minha mãe. Incialmente, fomos informados que ela sofreu um AVC isquêmico e tinha um aneurisma que precisava ser "clipado" com urgência, mas não sabiam quando iria ocorrer a cirurgia, pois havia uma fila de espera para cirurgias neurológicas e poderiam surgir casos mais graves que poderiam entrar na frente.
Com isso o tempo foi passando... as 48 horas se foram e transformaram-se em 70 dias. O quadro dela piorou: teve alergia a um medicamento, pneumonia, um aneurisma que sangrou, entrou em coma, fez hemodiálise, colocou um dreno no crânio para retirar líquor, fez traqueostomia, abriu uma escara de 15 cm nas nádegas, ocorreu um contágio com uma bactéria (VRE) na UTI e morreu.
Durante esse tempo eu aprendi que existe uma fila enorme de pessoas na mesma situação esperando cirurgia, a maioria morre antes de fazê-la, e que um leito na UTI é conseguido por meio de mandado judicial.
É um absurdo que aqui no DF para um paciente conseguir um leito de UTI deve acionar a Defensoria Pública. Na Defensoria vivenciei os piores momentos da minha vida. Conheci pessoas com histórias tristes, sofridas e desesperadoras. Cada história de arrepiar os cabelos!
Após tudo isso, de enterrar a minha mãe, eu detesto aquelas propagandas ordinárias do GDF que proclaman que a saúde vai bem, isso é uma ofensa à inteligência das pessoas. É uma violência moral a nós usuários da saúde pública.
E hoje conversando com uma amiga sobre um parente dela que está esperando uma cirurgia ortopédica no Hospital de Base, ela me disse que se sente um lixo, triste e impotente diante de tanto descaso e insensibilidade com as pessoas doentes.
Enfim, acho que me sinto assim com essa mesma sensação de impotência e tristeza.
Ana Cristina
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| foto: desconheço o autor |