quarta-feira, 25 de maio de 2011


Viver é difícil!!!
Não existe exatamente aquela vida do comercial de "margarina"  ou do creme dental. Nada não é tão leve, tão feliz demais, tão perfeito!
O dia-a-dia é de luta, de perdas, de ganhos, de batalha, de correr para chegar sei lá aonde...
Corremos tanto, vivemos em alta velocidade! Mas para quê?
Não sei... entrei na "corrida" meio sem vontade, mas estou indo.
Estou cansando dessa correria, dessa ausência de afeto, da falta do momento de partilhar, da amizade, da conversa fiada só para curtir as pessoas.

Ana Cristina 

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Hoje aconteceu uma situação bastante incomun.
Peguei um circular(ônibus que trafega dentro da cidade) para ir ao centro, quando em uma das paradas entra uma senhora com um cachecol. Gelei! Esfriou o estômago!!! Ela usava o cachecol que foi de minha mãe! o cachecol que fiz com restos de lã. Fixei os olhos no cachecol até ter certeza que era o da minha mãe. Sim, era ele, feito com lã rosa, branca e marron, reconheci cada listra, reconheci o meu jeito de terminar um listra. Enfim, confirmada a procedência, comecei a chorar! Lembrei da minha mãe... Alguns passageiros me olharam com espanto e outros com surpresa, mas nem liguei.
Eu fiquei imaginando qual a probabilidade dessa situação acontecer? Uma em um trilhão?
Mais uma coincidência, descemos na mesma parada e nos dirigimos para o mesmo local. Putz! Isso é uma tortura!
Mas dentro da repartição pública nos separamos. Só faltava ela ir a mesma seção!!!
No pequeno percurso da parada ao prédio fiquei tentada em "puxar" uma conversa, falar da minha mãe, a dona do cachecol. Saber como ele chegou até ela. Contar que eu o tricotei. Mas não tive coragem, melhor assim. Nunca mais irei vê-la e nem o cachecol.
Na vida há situações inusitadas...

Só para esclarecer doei as roupas da mamãe para um abrigo de idosos.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Na vida Deus nos brinda com alguns anjos que caminham ao nosso lado e nos dão apoio. O meu anjo é o meu  companheiro, amigo e amado Allan. Nesses últimos três meses rezamos juntos pela melhora da mamãe... nos aflingimos  a cada piora.. criamos esperanças  e choramos juntos ao perdê-la...
Nesse pior momento da minha vida não sei o que seria sem o apoio, a dedicação, a paciência, a compreensão  e o amor do Allan.
Agradeço a Deus a cada dia por tê-lo ao meu lado.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Há um mês minha mãe faleceu... numa noite de sábado seu coração parou. A mulher forte, bondosa, companheira e tão querida e amada por mim foi embora para o céu. Hoje sei o que é sentir a falta de alguém que se foi e que nunca mais irá voltar.. Neste mês que passou...chorei, me perdi em pensamentos lembrando de momentos bons e ruins, lembrei-me das broncas, das palmadas, da dedicação, do sorriso, do carinho, dos cafunés, da espera para jantarmos juntas, de passar creme no pé dela, de comermos uma pizza inteira e depois reclamarmos da dieta quebrada, das caminhadas pela manhã,  da cara zangada, da risada, dos nossos medos, dos últimos momentos no hospital...
Me apego a cada lembrança para não esquecê-la e tentar não sentir sua falta... Um beijo minha fofinha.

terça-feira, 26 de abril de 2011

A morte absoluta



foto: internet
A morte absoluta

Morrer.
Morrer de corpo e de alma.
Completamente.

Morrer sem deixar o triste despojo da carne,
A exangue máscara de cera,
Cercada de flores,
Que apodrecerão – felizes! – num dia,
Banhada de lágrimas
Nascidas menos da saudade do que do espanto da morte.


Morrer sem deixar um sulco, um risco, uma sombra,
A lembrança de uma sombra
Em nenhum coração, em nenhum pensamento,
Em nenhuma epiderme.

Morrer tão completamente
Que um dia ao lerem o teu nome num papel
Perguntem: "Quem foi?..."

Morrer mais completamente ainda,
– Sem deixar sequer esse nome. 
Manuel Bandeira

quarta-feira, 20 de abril de 2011

"Saudade é um pouco como fome.
Só passa quando se come a presença.
mas ás vezes a saudade é tão profunda
que a presença é pouco :
Há de se absorver a outra pessoa toda.
Essa vontade de um ser o outro
para uma unificação inteira
é um dos sentimentos mais urgentes
que se tem na vida"

Clarice Lispector