quarta-feira, 2 de março de 2011
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

OS ANOS
A Carlos Araníbar
Meu amigo, onde estão
os ares transparentes
das noites de verão?
Oh! Mágico entardecer
dos anos! Esquecido...
Já tudo adormecido.
A virgem que adoramos,
ai!,já não mais buscamos:
por que mortal prado
rodou-lhe a cabeleira?
(As estâncias desertas,
ao longe, empalidecem.)
As cortinas fenecem.
O coração não soma
os meses com os meses;
o coração goteja
eternidade... às vezes!
Meu amigo, onde estão
os ares transparentes
das noites de verão?
Francisco Bendezú

MELANCOLIA
Tal como os bondes
passam-se os dias.
O amor morre.
Melancolia.
Sal, cabeleiras.
Sangue que mana
dessas feridas:
sangue perdido...
As tardes vibram
em minha memória
qual amarelas
fotografias.
Noites de palmas
e fantasias!
Ai! Com as nuvens
se vai a vida...
Tal como os bondes
passam-se os dias.
O amor morre.
Melancolia.
FRANCISCO BENDEZÚ
(1928 - 2004)
No consultório.

Numa sala fria, paredes brancas,
três sofas amarelados pelo tempo,
duas mesinhas nuas... sem vaso... sem flores...
dois quadros perdidos na imensidão das paredes brancas.
Estão sentadas, pensativas...
Seis pessoas com suas dores,
estão aguardando a sua vez,
sua receita, seu conforto.
Sua hora de ser feliz...
Jogam suas esperanças numa drágea de Rivotril.
Ana Cristina










